Murmúrios de Primavera
É tempo, pois, de Primavera, que é sempre Tempo de Esperança e Renovação como na Natureza sábia, que se adapta, resiste e sobrevive! O que precisamos: adaptar para sobreviver. Resiliência, como agora se usa dizer!
É tempo, pois, de Primavera, que é sempre Tempo de Esperança e Renovação como na Natureza sábia, que se adapta, resiste e sobrevive! O que precisamos: adaptar para sobreviver. Resiliência, como agora se usa dizer!
Este será um tempo muito difícil e exigente. Não se compadece com facilitação, cedência a interesses e temor das decisões difíceis. E o dever de exigência não será apenas dos responsáveis, é também de todos nós, de uma cidadania empenhada e lúcida. A responsabilidade será sempre nossa, pois a nós, cidadãos, pertence o dever democrático irrecusável de escolher!
O constrangimento grave na disponibilização das vacinas é uma questão política, económica e estratégica. Procurar alternativas possíveis para o seu fornecimento fora do contexto da negociação centralizada poderá ser uma necessidade.
Com profunda tristeza, junto a minha voz aos que têm afirmado sem receios que esta tormenta, este tempo de lágrimas, não aconteceu por acaso, nem de sopetão. Era previsível, se a dinâmica prospectiva que é apanágio da Medicina, da Ciência e do Bom Governo tivesse prevalecido sobre a inércia, a ignorância e o conformismo.
Este país amado começa a ficar cada vez mais estranho e difícil de compreender para quem aprecia o exercício da racionalidade.
O combate à pandemia covid-19 tem duas dimensões: contenção da doença pela redução do contágio – o célebre martelo para
Estes dias foram, sem dúvida, um ponto de viragem que celebramos, mas não são a vitória. São enormes os problemas da sociedade portuguesa, agora substancialmente agravados pelas consequências desta pandemia que marcou o ano terrível de 2020.
Há várias perplexidades, caro leitor, na resposta nacional à pandemia, em áreas tão importantes para a organização da nossa resposta colectiva, para a nossa recuperação e para a imagem do País. Era o que menos precisávamos neste momento, perplexidades em vez de determinação, improvisação em vez de rigor, teimosia em vez de competência.
O que faltou acima de todas as dificuldades foi a dimensão nacional, substituída pelo funil ideológico que transformou ministros em gestores dos serviços públicos, como se não existisse a outra metade do País, que também luta, produz e resiste nos sectores social e privado. Para governar, não chega saber estar, é preciso saber ser!
Que pensar, caro leitor, por que caminhos se perderam as laudes civitatis que são penhor do bom governo no fresco de Lorenzetti? No tempo actual, a arrogância, sobranceria e a presunção de impunidade do Poder designa-se por hubris, e não costuma ter bom fim. O que me preocupa foi a incapacidade de em seis anos de Governo socialista não se terem realizado as reformas necessárias que teriam preparado melhor o país para este embate.