A guerra que ninguém previu
A União Europeia ignorou as vozes do Leste, cujas feridas do passado soviético próximo avisavam para o risco do caminho seguido.
A União Europeia ignorou as vozes do Leste, cujas feridas do passado soviético próximo avisavam para o risco do caminho seguido.
Atrevo-me a fazer duas propostas, dois desafios a um governo maioritário que sempre considerei uma necessidade.
Na economia, parece prevalecer visão estatizante perante silêncio ensurdecedor da oposição sobre alternativas, projectos, ideias que sejam mobilizadores da vontade colectiva.
Precisa-se de uma nova política que saiba tirar o maior benefício dos recursos disponíveis, evitando redundâncias, gerindo com rigor o sector público, promovendo efectiva regulação da competitividade com o sector privado e social e assegurando o direito de escolha dos cidadãos.
Não interessa escalpelizar as causas das disfunções no SNS, a sua falta de atractividade para as novas gerações. Tudo é linear e simples para os políticos que nos governam. Há um culpado identificado: os médicos e o seu corporativismo. Tudo se resolveria pelas leis do mercado livre, pelo jogo da oferta e procura: façam-se mais médicos que perante o espectro do desemprego tudo aceitariam.
A realidade foi dura: cerca de 1.400.000 mortes, certamente nem todas só pela infecção, algumas de portadores de outras doenças graves onde o SARS-Cov-2 perturbou o equilíbrio vital precário da sua existência. Bem diferente no Extremo-Oriente e Australásia
A vitória só será possível se for global e o fim do princípio só efectivamente começará a concretizar-se quando todos os recursos da vacinação não estiverem confinados aos países mais desenvolvidos e ricos.
O que se passou nesta época atribulada de Pandemia, a desinformação que serviu a políticos e demagogos irresponsáveis, a substituição do dever de Responsabilidade por Autoritarismo, são fruto de um Tempo de atribulação e insegurança que potenciam a predisposição autoritária.
Pode a sociedade civil permitir-se ao luxo de abdicação e indiferença e deixar silenciar a sua voz? Talvez esta indiferença seja a razão para a pobreza intelectual e a falta de exigência no debate político, no governo e na oposição. Isso é que corrói a Democracia e esse caminho sabe-se aonde conduz.
A suave (?) aterragem na Calamidade foi um desastre que não esqueceremos, mais uma expressão da falência de serviços e instituições públicas na sua missão de, em tempo oportuno, identificar os problemas, agir com seriedade, determinação e rigor. Não se sabia o que se passava no Alentejo litoral? E é só lá? Porque não se agiu?